Diva Osório, a coach de saúde que faz jejum intermitente há 12 anos

Lutando contra doenças autoimunes, ela encontrou o equilíbrio entre a alimentação e o exercício para frear o avanço das enfermidades

Dietas não foram feitas para dar certo. Funcionam por um tempo, a balança agradece, mas não há regime que dure eternamente, e quando acaba o período de privação, a tendência é engordar de novo. Para muita gente é sinônimo de fome, sofrimento, abstinência e renúncia.

Há 12 anos, a empresária e coach de saúde Diva Osório faz jejum intermitente, dieta paleo e cetogênica. O que para muitos é novidade, “dieta da moda”, ela vê como estilo de vida. Lutando contra doenças autoimunes (ela tem hipotiroidismo de hashimoto e vitiligo), Diva encontrou um equilíbrio entre a alimentação e o exercício físico para frear o avanço das enfermidades, estabilizar os níveis de gordura e controlar o próprio corpo.

Desde os 15 anos, Diva luta contra o próprio peso. Ela pulava de dieta em dieta tentando fazer as pazes com o corpo. “Vivia naquele ioiô, nunca conseguia me encontrar 100% na alimentação. Sofri com compulsão alimentar, tive que tomar remédio controlado”, conta. Ao se mudar para os Estados Unidos, teve aulas de nutrição na faculdade, mas não conseguiu identificar um estilo de alimentação que fosse sustentável a longo prazo.

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Em 2005, Diva entrou em um desafio fitness, um boot camp, onde ficou imersa em exercícios e alimentação para perder gordura. Foi lá que encontrou livros sobre jejum e alimentação paleolítica — nada de alimentos industrializados, e, sim, os mais naturais possíveis. O nome da alimentação faz referência ao que os nossos ancestrais comiam. Carne e vegetais à vontade, muita água, e adeus às massas, grãos, carboidratos e açúcares. O jejum também é associado aos tempos das cavernas. Sem a oferta de alimentos da atualidade, era comum aos humanos da época passarem muitas horas sem comer.

Na mesma época, ela e o marido, Bernardo Camargo, conheceram o Crossfit, que foi criado pelo americano Greg Glassman. Com a passagem de volta para o Brasil marcada, os dois resolveram se especializar na modalidade. Bernardo trabalhava como personal trainer e fisioterapeuta e assim nasceu a BSB Crossfit, o primeiro box de Crossfit de Brasília em funcionamento no Setor de Mansões Dom Bosco, onde o casal vive.

Hoje, aos 42 anos, Diva considera que atingiu um equilíbrio. Adepta dos jejuns, atualmente faz cerca de duas refeições por dia, às 11h e às 16h. Algumas vezes, fica até 24h sem mastigar, mas sem sofrimento — come quando sente fome, quando o corpo pede, e aprendeu a distinguir a vontade da necessidade.

“O jejum é natural ao ser humano. Passamos por períodos de alimentação e privação. Com essa ampla disponibilidade de comida que temos hoje, estamos constantemente nos alimentando. Quando mudei a minha alimentação, percebi que a única forma de controlar o nosso relacionamento com a comida é adquirir um estilo de vida que seja sustentável”, conta.

Ela lembra que no início passava 12h sem comer, mas o corpo foi se acostumando e hoje faz, no mínimo, 16h de jejum. “Me alimento até estar satisfeita. Não para passar tempo ou quando estou entediada, feliz, chateada ou cheia de problemas. Eu como por necessidade, porque preciso me abastecer. Quando a gente aprende a fazer essa distinção, o jejum acontece naturalmente”, explica.

Junto à alimentação paleo e os jejuns, Diva faz também a dieta cetogênica. A ideia é estimular a cetose, o estado em que o corpo produz cetonas e usa a gordura como fonte de energia, em vez da glicose, que é o combustível mais comum atualmente. Por isso, Diva ingere pouquíssimos carboidratos e regula também as frutas: só coco e abacate entram no dia a dia.

“Nunca fui muito de arroz, macarrão, batatas. Comia porque achava que precisava, tipo o clássico frango com batata doce, uma combinação horrorosa e sem gosto”, explica. Ela também fica de olho na glicose, fazendo testes regulares, para evitar elevações e entender como é a resposta glicêmica aos alimentos que consome.

Vida social
Apesar de ter uma relação com a alimentação baseada apenas na necessidade, Diva vive em uma sociedade que gira ao redor da comida. Todos os eventos sociais têm docinhos, salgadinhos, pizza, pão de queijo… Mas nada mexe muito com seu coração, e ela prefere, na maioria das vezes, evitar exceções.

“Eu sei que quando eu comer, vai ser mais do que eu preciso. Aprendi a decidir quando vale a pena. Não é uma vida privativa, que eu nunca mais vou comer um docinho, mas é saber que, para mim, um pedaço é demais e mil não serão suficientes. Já fiquei quase um ano sem consumir nada de açúcar”, explica. Ela também não liga para o que vão dizer quando ela for a um evento social e não comer nada. E se consome algo fora do normal, logo segue seu estilo, sem compensações pelas calorias adquiridas.

Por enxergarem seu compromisso com a alimentação e a falta de sofrimento, os dois filhos de Diva, Davi, 8 anos, e Lucas, 5 anos, curtem se alimentar de maneira saudável. “O mais velho ama kefir, kombucha, vinagre de maçã, salada, azeite e bolo com açúcar mascavo e farinha de coco”, diz.

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Crossfit
Por morar na mesma propriedade onde está instalado o box da BSB Crossfit, Diva tem acesso fácil aos exercícios e treina todos os dias. Ela explica que a atividade física é essencial para um estilo de vida saudável, mas que o Crossfit é uma escolha pessoal. “É uma paixão, eu gosto muito da intensidade, do desafio, de fazer algo diferente todos os dias. O movimento é essencial na vida”, diz.

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E quando ela viaja, nada de chutar o balde. A rotina segue, nem que seja fazendo agachamentos e flexões no quarto de hotel. A empresária explica: “esse estilo de vida só funciona quando se entende o que ele está pedindo”. A meditação ajuda muito no processo. Todos os dias, reserva ao menos 20 minutos para a prática.

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Há dois anos, após o pedido de amigas, ela divide sua rotina no Instagram. “Sempre me pediam opinião e dicas, então passei a postar as minhas receitas, os treinos e o que eu como. Recebo muitas perguntas. Acho que as pessoas complicam o simples. A vida saudável precisa ser fácil de ser seguida. Às vezes a resposta está na simplicidade.”

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